Vítima foi agredida em matagal e trancada em apartamento por três dias; agressor, que já vitimou outras duas mulheres, foi solto em audiência de custódia.
MONTES CLAROS – Uma operação da Polícia Civil, motivada por um pedido de socorro via mensagens, colocou fim a três dias de tortura e cárcere privado vividos por uma mulher de 33 anos em Montes Claros. O suspeito, um homem de 36 anos com quem a vítima mantinha um relacionamento há cinco anos, foi preso em flagrante nesta terça-feira (24). Apesar da gravidade das lesões e do histórico de reincidência, o agressor foi colocado em liberdade pela Justiça nesta quinta-feira (26).
Para Entender o Caso
- O Fato: Cárcere privado, lesão corporal grave e violência patrimonial.
- Onde/Quando: Montes Claros (Norte de Minas); agressões no domingo (22) e resgate na terça (24).
- Dinâmica: Vítima foi levada a um matagal, espancada por ciúmes e depois trancada em um residencial.
- Status Atual: Inquérito em andamento; suspeito solto em audiência de custódia sob monitoramento.
- Fontes Oficiais: Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Dra. Karine Maia).
O Ciclo da Violência: Tortura e Controle Financeiro
As investigações revelaram um cenário de violência continuada e extrema. No último domingo (22), sob o pretexto de ciúmes, o agressor levou a namorada de forma premeditada para uma área de mata, onde a espancou severamente. Após o ataque, ele a conduziu ao apartamento onde moravam e a manteve trancada por cerca de 72 horas.
Quando os policiais chegaram ao local, encontraram a vítima com hematomas nos olhos, ferimentos na boca e nos ombros. Além da violência física e psicológica, a delegada Karine Maia identificou indícios de violência patrimonial: a mulher era coagida a entregar todo o seu salário ao investigado, perdendo qualquer autonomia financeira.
O Resgate e a Atuação do Estado
A liberdade da vítima só foi possível após ela conseguir enviar mensagens de texto a uma amiga pedindo socorro urgente. A amiga alertou a família, que acionou a Polícia Civil. No momento do resgate, abalada e sob forte pressão psicológica, a mulher manifestou o desejo de não representar criminalmente contra o namorado.
Contudo, a delegada reforçou que, em casos de lesão corporal e cárcere no contexto doméstico, a ação pública é incondicionada. Ou seja, a polícia tem o dever legal de investigar e punir o agressor independentemente da vontade da vítima, justamente para protegê-la do ciclo de dependência e medo.
Reincidência e Liberdade Provisória
Um dado alarmante no inquérito é que esta é a terceira mulher agredida pelo mesmo suspeito. Ele já possui três registros anteriores por violência doméstica contra outras parceiras. Durante a abordagem, ele chegou a confessar parte das agressões, alegando ter dado “tapas” na namorada.
Mesmo com o histórico criminal e a brutalidade do caso atual, o suspeito foi solto após a audiência de custódia nesta quinta-feira (26). A Polícia Civil informou que continuará monitorando o caso e que, diante de qualquer descumprimento de medidas ou nova aproximação da vítima, solicitará a prisão preventiva imediata.
A Importância da Rede de Apoio
Este caso destaca que a intervenção de amigos e familiares é, muitas vezes, a única saída para vítimas presas em ciclos de violência.
“Muitas dessas mulheres sentem que não vão ser amparadas e acabam cedendo. Por isso, a família e os amigos devem procurar as autoridades ao notar mudanças de comportamento ou marcas”, alertou a delegada Karine Maia.
Faça Parte da Conversa
O silêncio é o maior aliado do agressor. Ajude a romper esse ciclo. 📞 Denuncie: Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (Polícia Militar). 🔔 Siga o Portal de Minas para acompanhar o desfecho das investigações e políticas de proteção à mulher. 💬 Comente: O que você pensa sobre a soltura de agressores reincidentes em audiências de custódia?
Edição e Redação: Equipe de Jornalismo do Portal de Minas Fonte: Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) Imagens: PCMG


