Duas mineiras foram levadas ao exterior com uma falsa oferta de emprego e acabaram submetidas a um esquema de golpes financeiros; seis brasileiros ainda aguardam suporte para retornar.
Duas irmãs de Uberaba, no Triângulo Mineiro, que foram vítimas de tráfico humano e ficaram retidas em Madagascar, conseguiram retornar ao Brasil. A chegada das duas à região foi confirmada por Cintia Meireles, representante brasileira da ONG The Exodus Road, que atua no combate ao tráfico de pessoas e acompanha o caso de brasileiros vítimas do esquema.
As irmãs viajaram para o exterior após receberem uma proposta de emprego. Segundo os relatos, elas acreditavam que trabalhariam no exterior, mas acabaram sendo levadas para um esquema criminoso de golpes financeiros.
De acordo com Cintia Meireles, as duas só conseguiram retornar ao Brasil com o apoio financeiro de familiares e amigos, que custearam as passagens. Segundo ela, os brasileiros que conseguiram deixar o local permaneceram em uma residência de uma organização internacional enquanto aguardavam assistência e uma possível repatriação.
Dos 23 brasileiros envolvidos na situação, seis ainda aguardavam suporte para retornar ao país, conforme informado pela representante da ONG.
Falsa promessa de emprego
As irmãs deixaram o Brasil após receberem uma proposta de trabalho no exterior. Uma delas relatou à TV Paranaíba que a oferta surgiu em um momento de dificuldades financeiras e teria sido apresentada por uma pessoa conhecida, o que contribuiu para que ela e a irmã aceitassem a oportunidade.
Inicialmente, elas viajaram com destino à Tailândia. No entanto, segundo o relato, descobriram durante o trajeto que seriam levadas para o Camboja.
Ao chegarem ao país, as brasileiras perceberam, segundo o depoimento, que não se tratava de uma oportunidade de emprego, mas de uma situação de exploração ligada ao tráfico humano.
Uma das vítimas relatou ter sido submetida a agressões e restrições de alimentação e água quando se recusava a participar das atividades determinadas pelos criminosos.
Posteriormente, após uma operação policial no Camboja, o grupo teria sido transferido para Madagascar.
Fuga e retorno ao Brasil
Ainda segundo o relato das vítimas, três pessoas conseguiram fugir do esquema e fizeram denúncias que contribuíram para uma operação policial no local onde os brasileiros estavam mantidos.
As irmãs afirmam que, durante a ação, os brasileiros foram retirados do complexo, mas acabaram detidos pelas autoridades locais. Segundo uma das vítimas, o grupo permaneceu cinco dias em condições precárias antes de conseguir deixar o local.
Após a saída, os brasileiros chegaram a permanecer quatro dias em um aeroporto enquanto aguardavam assistência.
A representante da The Exodus Road afirmou que a organização foi acionada por uma líder missionária de uma ONG de Madagascar e passou a auxiliar na segurança e no retorno das irmãs de Uberaba.
Alerta sobre falsas ofertas de emprego
Cintia Meireles também fez um alerta sobre propostas de trabalho no exterior. Segundo ela, pessoas interessadas devem desconfiar de ofertas recebidas por aplicativos de mensagens, especialmente quando apresentam condições consideradas muito vantajosas e não são acompanhadas de informações formais sobre a empresa contratante.
A representante da ONG afirmou que organizações criminosas envolvidas com tráfico humano podem atuar em diferentes países e utilizar falsas oportunidades profissionais para atrair vítimas.
O caso reforça o alerta para os riscos relacionados a ofertas de emprego no exterior e para a necessidade de verificar a identidade das empresas, seus endereços e os canais oficiais de contratação antes de realizar uma viagem.
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Edição e Redação: Equipe Portal de Minas
Fonte: Paranaíba Mais / The Exodus Road
Imagens: Divulgação



