Ex-presidente cumpre prisão domiciliar e está impedido de disputar eleições, mas filhos, mulher e irmão foram eleitos; Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno presidencial
Jair Bolsonaro não apareceu como candidato nas urnas de 2026, mas o sobrenome Bolsonaro esteve entre os elementos mais visíveis do resultado eleitoral deste domingo (4).
Impedido de disputar eleições e cumprindo pena em prisão domiciliar, o ex-presidente teve quatro familiares eleitos neste primeiro turno, enquanto seu filho mais velho, Flávio Bolsonaro (PL), terminou a disputa presidencial na primeira colocação e avançou para o segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Michelle Bolsonaro foi eleita senadora pelo Distrito Federal. Carlos Bolsonaro conquistou uma vaga no Senado por Santa Catarina. Jair Renan Bolsonaro foi eleito deputado federal pelo mesmo estado, e Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, conseguiu uma cadeira na Câmara por São Paulo.
Na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, levando a decisão para 25 de outubro.
O SOBRENOME TAMBÉM APARECEU NAS URNAS
A presença do nome Bolsonaro não ficou restrita aos familiares.
Durante a campanha, diferentes candidatos utilizaram o sobrenome ou expressões associadas ao ex-presidente em seus nomes de urna. Entre eles estava Bruno Bolsonaro Scheid, que concorreu ao Senado por Rondônia. Depois de uma decisão da Justiça Eleitoral, ele deixou de utilizar “Bolsonaro” formalmente no nome de urna, mas foi eleito senador pelo PL, com 474.226 votos.
Em São Paulo, Fabiana Bolsonaro foi eleita deputada estadual pelo PL, com 61.183 votos. O TRE-SP registrou a eleição por média.
No Paraná, Crysthofour Pereira de Almeida, conhecido como Fão do Bolsonaro, também foi eleito deputado estadual pelo PL, com 48.309 votos. O nome de urna foi oficialmente registrado como “Fão do Bolsonaro”.
Esses resultados não permitem concluir que todos esses candidatos tenham sido eleitos exclusivamente por associação com Jair Bolsonaro. Eles disputaram eleições próprias, com estruturas partidárias, campanhas e votações individuais. O que os números mostram é que o sobrenome Bolsonaro continuou presente em diferentes disputas eleitorais de 2026.
QUATRO FAMILIARES ELEITOS
O desempenho da própria família foi um dos elementos mais marcantes do resultado.
Michelle Bolsonaro
Michelle Bolsonaro foi eleita senadora pelo Distrito Federal com 29,1% dos votos, em sua primeira candidatura a um cargo eletivo. Ela ocupará uma das duas vagas colocadas em disputa e terá Diego Torres, seu irmão, como primeiro suplente.
Carlos Bolsonaro
Carlos Bolsonaro deixou a política municipal do Rio de Janeiro e transferiu o domicílio eleitoral para Santa Catarina para disputar o Senado. Ele foi eleito com 25,35% dos votos válidos e terá mandato de oito anos.
Jair Renan Bolsonaro
Jair Renan Bolsonaro também venceu a eleição em Santa Catarina e será deputado federal na próxima legislatura. Com isso, dois dos filhos do ex-presidente estarão no Congresso a partir de 2027.
Renato Bolsonaro
O irmão de Jair Bolsonaro, Renato Bolsonaro, foi eleito deputado federal por São Paulo com 379.312 votos, uma das dez maiores votações entre os eleitos do estado.
O resultado fez com que o grupo familiar diretamente ligado ao ex-presidente ampliasse sua presença institucional no Congresso Nacional.
FLÁVIO CHEGA AO SEGUNDO TURNO
O resultado mais relevante para o futuro político do grupo, porém, ocorreu na disputa presidencial.
Flávio Bolsonaro, atualmente senador pelo Rio de Janeiro, terminou o primeiro turno na liderança, com 56 milhões de votos, e enfrentará Lula no segundo turno marcado para 25 de outubro.
Flávio é o primeiro integrante da família Bolsonaro a disputar diretamente a Presidência da República depois da inelegibilidade do pai.
O desempenho também colocou o nome Bolsonaro novamente no centro da disputa nacional. A eleição presidencial será decidida entre dois candidatos separados por menos de dois pontos percentuais no primeiro turno.
BOLSONARO ESTÁ PRESO, MAS SUA IMAGEM CONTINUA SENDO USADA POLITICAMENTE
Jair Bolsonaro começou a cumprir a pena definitiva em novembro de 2025, após o trânsito em julgado da condenação. Posteriormente, o STF concedeu prisão domiciliar humanitária e decidiu mantê-la em julho de 2026.
As medidas impostas pela Justiça incluem proibição do uso de celular, telefone e redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros. Também existem restrições para contatos e visitas, embora decisões judiciais tenham estabelecido exceções e autorizações específicas.
Essa condição tornou a eleição de 2026 particularmente incomum: o principal nome da família não concorria a nenhum cargo, mas seu sobrenome continuou aparecendo na composição das candidaturas e no resultado das urnas.
Reuters classificou o resultado como uma demonstração de que Bolsonaro continua sendo uma força política relevante mesmo sem aparecer na cédula eleitoral. A agência destacou as eleições de Michelle, Carlos e Jair Renan, além da vitória de outros integrantes da família.
O PL TAMBÉM SAI FORTALECIDO
O resultado não se restringiu à família.
O Partido Liberal conquistou 28 das 81 cadeiras do Senado que estarão em disputa na nova composição, segundo levantamento publicado após o primeiro turno, enquanto também formará a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 121 deputados a partir de 2027.
A nova composição do Congresso terá, portanto, uma presença expressiva do partido ao qual Jair Bolsonaro está filiado.
Isso não significa, porém, que todos os parlamentares eleitos pelo PL sejam integrantes da família Bolsonaro ou que todos tenham o ex-presidente como principal referência política. São fenômenos eleitorais relacionados, mas não equivalentes.
DE 2018 A 2026, UMA TRAJETÓRIA POLÍTICA QUE MUDOU DE FORMA
Jair Bolsonaro chegou à Presidência em 2018 depois de décadas no Congresso e deixou o cargo em janeiro de 2023, após perder a reeleição para Lula em 2022.
Desde então, sua trajetória passou por profundas mudanças: tornou-se inelegível, foi alvo de processos judiciais, acabou condenado pelo STF e atualmente cumpre pena em prisão domiciliar.
Mesmo fora das urnas, entretanto, o sobrenome permaneceu associado a uma parcela expressiva da direita brasileira.
A eleição de 2026 oferece um retrato desse processo: Michelle e Carlos chegam ao Senado, Jair Renan e Renato Bolsonaro entram na Câmara, outros candidatos utilizaram o sobrenome ou referências diretas a Bolsonaro em seus nomes de urna e Flávio chegou ao segundo turno presidencial.
UM RESULTADO QUE AINDA TERÁ DESDOBRAMENTOS
A força eleitoral demonstrada pelos candidatos ligados à família Bolsonaro terá consequências que vão além da eleição de 4 de outubro.
A partir de 2027, a família estará distribuída entre Senado, Câmara e, dependendo do resultado de 25 de outubro, poderá novamente estar no centro do Poder Executivo federal.
Por enquanto, uma coisa já está definida: Jair Bolsonaro não estava na urna, mas seu nome e sua influência política estiveram presentes em uma parte significativa do resultado eleitoral de 2026.
O segundo turno presidencial dirá até onde essa influência poderá chegar.
Fontes: Tribunal Superior Eleitoral; Supremo Tribunal Federal; Senado Federal; Câmara dos Deputados; Reuters; Agência Brasil; Folha de S.Paulo.
Redação: Portal de Minas



